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perplexingly:

I’ve been seeing rain animations around and I really wanted to draw one, too uvu

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chibatadas:

HOJE É UM DIA MUITO FELIZ KRA. PORQUE É O ANIVERSSARIO DO MAIOR DUBLE QUE NA TERRA JA EXSTIU UMA VEZ.
HOJE É ANIVERSARIO DO MEU AMIGO TEATROW E EU QUERIA AGRADESSELO POR TODOS ESSES ANOS DE TALENTO QUE ELE USA PRA FAZER AS CENAS DE DUBLE E PARA HOMENAGEALO ESCOLHI ESTA BELA FOTO DELE COM UM ROBO AZUL E VERMELHO MUITO PERIGOSO, PRA MOSTRAR QUE ELE NAO TEM MEDO DAS MAQUINAS E DO QUE ELAS PODEM FAZER COM A CIVILIZASAO!
AQUI TAMBEM UM POEMA PARA SEUS ANOS:
T - DE TALENTOE - DE EFISSIENCIAA - DE ALERTAT - DE TOMATER - DE RAPIDOO - OBRIGADOW - DE WAGNER
OBRIGADO TEATROW, DUBLE COMO SE NAO OUVESSE AMANHA COM SEU TALENTO KRA!!!!

chibatadas:

HOJE É UM DIA MUITO FELIZ KRA. PORQUE É O ANIVERSSARIO DO MAIOR DUBLE QUE NA TERRA JA EXSTIU UMA VEZ.

HOJE É ANIVERSARIO DO MEU AMIGO TEATROW E EU QUERIA AGRADESSELO POR TODOS ESSES ANOS DE TALENTO QUE ELE USA PRA FAZER AS CENAS DE DUBLE E PARA HOMENAGEALO ESCOLHI ESTA BELA FOTO DELE COM UM ROBO AZUL E VERMELHO MUITO PERIGOSO, PRA MOSTRAR QUE ELE NAO TEM MEDO DAS MAQUINAS E DO QUE ELAS PODEM FAZER COM A CIVILIZASAO!

AQUI TAMBEM UM POEMA PARA SEUS ANOS:

T - DE TALENTO
E - DE EFISSIENCIA
A - DE ALERTA
T - DE TOMATE
R - DE RAPIDO
O - OBRIGADO
W - DE WAGNER

OBRIGADO TEATROW, DUBLE COMO SE NAO OUVESSE AMANHA COM SEU TALENTO KRA!!!!

My First Kiss Delicious completou 2 anos hoje!

My First Kiss Delicious completou 2 anos hoje!

tetecristina:

Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de restos de minhocas e com cheiro de lodo, tampouco uma toca seca, vazia e 
arenosa, sem nada em que sentar ou o que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto. 

A toca tinha uma porta perfeitamente redonda como uma escotilha, pintada de verde, com uma maçaneta brilhante de latão amarelo exatamente no centro. A porta se abria para um corredor em forma de tubo, como um túnel: um túnel muito confortável, sem fumaça, com paredes revestidas e com o chão ladrilhado e atapetado, com cadeiras de madeira polida e montes e montes de cabides para chapéus e casacos — o hobbit gostava de visitas. O túnel descrevia um caminho cheio de curvas, afundando bastante, mas não em linha reta, no flanco da colina. — A Colina, como todas as pessoas num raio de muitas milhas a chamavam —, e muitas portinhas redondas se abriam ao longo dela, de um lado e do outro. Nada de escadas para o hobbit: quartos, banheiros, adegas, despensas (muitas delas), guarda-roupas (ele tinha salas inteiras destinadas a roupas), cozinhas, salas de jantar, tudo ficava no mesmo andar, e, na verdade, no mesmo corredor. Os melhores cômodos ficavam todos do lado esquerdo (de quem entra), pois eram os únicos que tinham janelas, janelas redondas e fundas, que davam para o jardim e para as campinas além, que desciam até o rio. 

Esse hobbit era um hobbit muito abastado, e seu nome era Bolseiro. Os Bolseiros viviam nas vizinhanças da Colina desde tempos imemoriais, e as pessoas os consideravam muito respeitáveis, não apenas porque em sua maioria eram ricos, mas também porque nunca tinham tido nenhuma aventura ou feito qualquer coisa inesperada você podia saber o que um Bolseiro diria sobre qualquer assunto sem ter o trabalho de perguntar a ele. Esta é a história de como um Bolseiro teve uma aventura, e se viu fazendo e dizendo coisas totalmente inesperadas. 

Ele pode ter perdido o respeito dos seus vizinhos, mas ganhou — bem, vocês vão ver se ele ganhou alguma coisa no final. 

A mãe desse nosso hobbit — o que é um hobbit? Imagino que os hobbits requeiram alguma descrição hoje em dia, uma vez que se tornaram raros e esquivos diante das Pessoas Grandes, como eles nos chamam. Eles são (ou eram) um povo pequeno, com cerca de metade da nossa altura, e menores que os anões barbados. Os hobbits não têm barba. Não possuem nenhum ou quase nenhum poder mágico, com exceção daquele tipo corriqueiro de mágica que os ajuda a desaparecer silenciosa e rapidamente quando pessoas grandes e estúpidas como vocês e eu se aproximam de modo desajeitado, fazendo barulho como um bando de elefantes, que eles podem ouvir a mais de uma milha de distância. Eles têm tendência a serem gordos no abdome, vestem-se com cores vivas (principalmente verde e amarelo), não usam sapatos porque seus pés já têm uma sola natural semelhante a couro, e também pêlos espessos e castanhos parecidos com os cabelos da cabeça (que são encaracolados), têm dedos morenos, longos e ágeis, rostos amigáveis, e dão gargalhadas profundas e deliciosas (especialmente depois de jantarem, o que fazem duas vezes por dia, quando podem). 

Agora vocês sabem o suficiente para continuarmos. 
Como eu estava dizendo, a mãe desse hobbit — isto é de Bilbo Bolseiro — era a famosa Beladona Túk, uma das três notáveis filhas do Velho Túk, chefe dos hobbits que 
viviam do outro lado do Água, o pequeno rio que passava ao pé da colina. Freqüentemente se dizia (em outras famílias) que muito tempo atrás um dos ancestrais Túk provavelmente se casara com uma fada. É claro que isso era um absurdo, mas, ainda assim, com certeza havia neles algo não de todo hobbitesco, e, de vez em quando, alguns membros do clã Túk saiam em busca de aventuras. Desapareciam discretamente, e a família silenciava sobre o assunto, mas permanecia o fato de que os Túks não eram tão respeitáveis como os Bolseiros, embora fossem indubitavelmente mais ricos. 

Não que Beladona Túk tivesse tido qualquer aventura depois de se tornar a Sra. Bungo Bolseiro. Bungo, o pai de Bilbo, construiu para ela (e em parte com o dinheiro dela) a toca mais luxuosa que jamais se pôde encontrar, quer sob a Colina, quer acima da Colina, ou mesmo do outro lado do Água, e ali eles permaneceram até o fim de seus dias. Ainda assim, é provável que Bilbo, seu único filho, embora se parecesse e se comportasse exatamente como uma segunda edição de seu firme e tranqüilo pai, tivesse em sua constituição alguma característica meio estranha do lado dos Túk, algo que estivesse apenas esperando uma oportunidade para se manifestar. 

A oportunidade não apareceu até que Bilbo estivesse adulto, com mais ou menos cinqüenta anos, vivendo na bonita toca de hobbit construída por seu pai, e que eu acabei de descrever para vocês. Na verdade, até que estivesse totalmente acomodado na vida, pelo menos aparentemente. 

Por um curioso acaso, numa manhã distante, na quietude do mundo, quando havia menos barulho e mais verde, e quando os hobbits eram ainda numerosos e prósperos, e Bilbo Bolseiro estava parado à sua porta depois do desjejum, fumando um enorme cachimbo de madeira que chegava quase até os lanudos dedos dos seus pés (cuidadosamente escovados), Gandalf apareceu. 

Gandalf! Se vocês tivessem ouvido apenas um quarto do que eu já ouvi a respeito dele, e eu ouvi só um pouco de tudo o que existe para ouvir, estariam preparados para qualquer tipo de história surpreendente. 

Histórias e aventuras brotavam por todo lado, onde quer que ele fosse, da maneira mais extraordinária. Ele não passava por aquele caminho sob a Colina havia muito tempo, na verdade, não passara por ali desde que seu amigo, o Velho Túk, morrera, e os hobbits quase se haviam esquecido de seu aspecto. Estivera viajando, para além da Colina e do outro lado do Água, cuidando de seus próprios negócios, desde que eles todos eram meninos e meninas hobbits. 

Tudo o que Bilbo, sem suspeitar de nada, viu naquela manhã foi um velho com um cajado. Usava um chapéu azul, alto e pontudo, uma capa cinzenta comprida, um cachecol prateado sobre o qual sua longa barba branca caia até abaixo da cintura, e imensas botas pretas. 

— Bom dia! — disse Bilbo sinceramente. O sol brilhava, e a grama estava muito verde. Mas Gandalf lançou-lhe um olhar por baixo de suas longas e espessas sobrancelhas, que se projetavam da sombra da aba do chapéu. 

— O que você quer dizer com isso? — perguntou ele. — Está me desejando um bom dia, ou quer dizer que o dia está bom não importa que eu queira ou não, ou quer dizer que você se sente bem neste dia, ou que este é um dia para se estar bem? 

— Tudo isso de uma vez — disse Bilbo. — É uma manhã muito agradável para fumar um cachimbo ao ar livre, além disso. Se você tiver um cachimbo com você, sentese e tome um pouco do meu fumo! Não há pressa, temos o dia todo pela frente! — E então Bilbo se sentou numa cadeira à sua porta, cruzou as pernas e soprou um belo anel de fumaça cinzenta que se ergueu no ar sem se desmanchar e foi flutuando sobre a Colina.

— Muito bonito! — disse Gandalf. — Mas eu não tenho tempo para soprar anéis de fumaça esta manhã. Estou procurando alguém para participar de uma aventura que estou organizando, e está muito difícil achar alguém.

— Acho que sim, por estes lados! Nós somos gente simples e acomodada, e eu não gosto de aventuras. São desagradáveis e desconfortáveis! Fazem com que você se atrase para o jantar! Não consigo imaginar o que as pessoas vêem nelas — disse o nosso Sr. Bolseiro, colocando um polegar atrás dos suspensórios e soprando outro anel de fumaça ainda maior. Depois pegou sua correspondência matinal e começou a lê-la, fingindo não prestar mais atenção ao velho. Havia decidido que não era do tipo que o agradava e queria que ele fosse embora. Mas o velho não se mexeu. Ficou parado, apoiando-se no seu cajado, observando o hobbit sem dizer nada, até que Bilbo se sentiu meio embaraçado, e até um pouco contrariado. 

— Bom dia! — disse ele finalmente. — Nós não queremos aventuras por aqui, obrigado! Você podia tentar além da Colina ou do outro lado do Água. — Com isso quis dizer que a conversa estava terminada. 

— Você usa Bom Dia para um monte de coisas! — disse Gandalf. — Agora está querendo dizer que quer se livrar de mim e que o dia não ficará bom até que eu vá embora. 

— De jeito nenhum, de jeito nenhum, caro senhor! Deixe-me ver, acho que não sei o seu nome. 

— Sim, sim, meu caro senhor, e eu sei o seu, Sr. Bilbo Bolseiro. E você sabe o meu nome, embora não se lembre de que ele se refere a mim. Eu sou Gandalf, e Gandalf significa eu! E pensar que eu viveria para escutar um “Bom dia” do filho de Beladona Túk como se fosse um simples mascate que bate de porta em porta! 

— Gandalf, Gandalf! Puxa vida! Não o mago errante que deu ao Velho Túk um par de abotoaduras de diamante que se abotoavam e nunca se soltavam até que fosse 
ordenado? Não o camarada que costumava contar histórias maravilhosas nas festas, sobre dragões, orcs e gigantes e sobre resgates de princesas e sobre a sorte inesperada de 
filhos de viúvas? Não o homem que costumava fazer fogos de artifício especialmente maravilhosos! Eu me lembro deles! O Velho Túk costumava soltá-los na véspera do 
Solstício de Verão. Esplêndido! Eles subiam como grandes lírios e bocas-de-leão e laburnos de fogo, ficavam no céu durante todo o entardecer! — Vocês já devem ter 
notado que o Sr. Bolseiro não era tão prosaico como queria acreditar que fosse, e também que gostava muito de flores. 

— Ora, ora! — continuou ele. — Não o Gandalf que foi responsável por tantos moços e moças tranqüilos partirem em loucas aventuras? Qualquer coisa, desde subir em árvores até visitar elfos, ou navegar em navios, navegar para outras praias! Puxa! A vida costumava ser muito interessante… quero dizer, você costumava perturbar muito as coisas por estas bandas naquela época. Eu peço desculpas, mas não imaginava que ainda estava na ativa. 

— Onde mais eu poderia estar? — disse o mago. — De qualquer forma, estou satisfeito em saber que você se lembra de alguma coisa a meu respeito. Parece que a lembrança dos meus fogos de artifício, pelo menos, lhe é agradável, e isto já é alguma coisa. Mas, em memória do seu velho avô Túk e de sua mãe Beladona, darei o que você me pediu. 

— Peço desculpas, mas não pedi nada! 

— Você pediu sim, duas vezes agora. Desculpas. Está desculpado. Na verdade vou muito além disso, vou mandá-lo nessa aventura. Muito divertido para mim, muito bom para você… e lucrativo, muito provavelmente, se você conseguir chegar até o fim. 

— Sinto muito! Eu não quero aventuras, muito obrigado. Hoje não. Bom dia!  Mas, por favor, venha tomar chá, a qualquer hora que quiser! Por que não amanhã? Venha amanhã! Até logo! — Com isso o hobbit se virou e entrou por sua porta redonda e verde e a fechou o mais rápido que era possível sem parecer rude. Afinal de contas, magos são magos.

— Por que raios eu o convidei para o chá!? — perguntou para si mesmo, enquanto ia para a despensa. Tinha acabado de tomar o desjejum, mas achou que um pedaço de bolo ou dois, e um gole de alguma coisa, lhe fariam bem depois do susto. 


Enquanto isso, Gandalf ainda estava parado do lado de fora da porta, rindo muito, mas sem fazer ruído. Depois de uns instantes ele se levantou, e com o cravo de seu cajado riscou um sinal estranho na bela porta verde da toca do hobbit. Depois foi embora, mais ou menos no momento em que Bilbo estava terminando o seu segundo pedaço de bolo e começando a pensar que se havia safado muito bem das aventuras.

tetecristina:

Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de restos de minhocas e com cheiro de lodo, tampouco uma toca seca, vazia e 

arenosa, sem nada em que sentar ou o que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto. 

A toca tinha uma porta perfeitamente redonda como uma escotilha, pintada de verde, com uma maçaneta brilhante de latão amarelo exatamente no centro. A porta se abria para um corredor em forma de tubo, como um túnel: um túnel muito confortável, sem fumaça, com paredes revestidas e com o chão ladrilhado e atapetado, com cadeiras de madeira polida e montes e montes de cabides para chapéus e casacos — o hobbit gostava de visitas. O túnel descrevia um caminho cheio de curvas, afundando bastante, mas não em linha reta, no flanco da colina. — A Colina, como todas as pessoas num raio de muitas milhas a chamavam —, e muitas portinhas redondas se abriam ao longo dela, de um lado e do outro. Nada de escadas para o hobbit: quartos, banheiros, adegas, despensas (muitas delas), guarda-roupas (ele tinha salas inteiras destinadas a roupas), cozinhas, salas de jantar, tudo ficava no mesmo andar, e, na verdade, no mesmo corredor. Os melhores cômodos ficavam todos do lado esquerdo (de quem entra), pois eram os únicos que tinham janelas, janelas redondas e fundas, que davam para o jardim e para as campinas além, que desciam até o rio. 

Esse hobbit era um hobbit muito abastado, e seu nome era Bolseiro. Os Bolseiros viviam nas vizinhanças da Colina desde tempos imemoriais, e as pessoas os consideravam muito respeitáveis, não apenas porque em sua maioria eram ricos, mas também porque nunca tinham tido nenhuma aventura ou feito qualquer coisa inesperada você podia saber o que um Bolseiro diria sobre qualquer assunto sem ter o trabalho de perguntar a ele. Esta é a história de como um Bolseiro teve uma aventura, e se viu fazendo e dizendo coisas totalmente inesperadas. 

Ele pode ter perdido o respeito dos seus vizinhos, mas ganhou — bem, vocês vão ver se ele ganhou alguma coisa no final. 

A mãe desse nosso hobbit — o que é um hobbit? Imagino que os hobbits requeiram alguma descrição hoje em dia, uma vez que se tornaram raros e esquivos diante das Pessoas Grandes, como eles nos chamam. Eles são (ou eram) um povo pequeno, com cerca de metade da nossa altura, e menores que os anões barbados. Os hobbits não têm barba. Não possuem nenhum ou quase nenhum poder mágico, com exceção daquele tipo corriqueiro de mágica que os ajuda a desaparecer silenciosa e rapidamente quando pessoas grandes e estúpidas como vocês e eu se aproximam de modo desajeitado, fazendo barulho como um bando de elefantes, que eles podem ouvir a mais de uma milha de distância. Eles têm tendência a serem gordos no abdome, vestem-se com cores vivas (principalmente verde e amarelo), não usam sapatos porque seus pés já têm uma sola natural semelhante a couro, e também pêlos espessos e castanhos parecidos com os cabelos da cabeça (que são encaracolados), têm dedos morenos, longos e ágeis, rostos amigáveis, e dão gargalhadas profundas e deliciosas (especialmente depois de jantarem, o que fazem duas vezes por dia, quando podem). 

Agora vocês sabem o suficiente para continuarmos. 

Como eu estava dizendo, a mãe desse hobbit — isto é de Bilbo Bolseiro — era a famosa Beladona Túk, uma das três notáveis filhas do Velho Túk, chefe dos hobbits que 

viviam do outro lado do Água, o pequeno rio que passava ao pé da colina. Freqüentemente se dizia (em outras famílias) que muito tempo atrás um dos ancestrais Túk provavelmente se casara com uma fada. É claro que isso era um absurdo, mas, ainda assim, com certeza havia neles algo não de todo hobbitesco, e, de vez em quando, alguns membros do clã Túk saiam em busca de aventuras. Desapareciam discretamente, e a família silenciava sobre o assunto, mas permanecia o fato de que os Túks não eram tão respeitáveis como os Bolseiros, embora fossem indubitavelmente mais ricos. 

Não que Beladona Túk tivesse tido qualquer aventura depois de se tornar a Sra. Bungo Bolseiro. Bungo, o pai de Bilbo, construiu para ela (e em parte com o dinheiro dela) a toca mais luxuosa que jamais se pôde encontrar, quer sob a Colina, quer acima da Colina, ou mesmo do outro lado do Água, e ali eles permaneceram até o fim de seus dias. Ainda assim, é provável que Bilbo, seu único filho, embora se parecesse e se comportasse exatamente como uma segunda edição de seu firme e tranqüilo pai, tivesse em sua constituição alguma característica meio estranha do lado dos Túk, algo que estivesse apenas esperando uma oportunidade para se manifestar. 

A oportunidade não apareceu até que Bilbo estivesse adulto, com mais ou menos cinqüenta anos, vivendo na bonita toca de hobbit construída por seu pai, e que eu acabei de descrever para vocês. Na verdade, até que estivesse totalmente acomodado na vida, pelo menos aparentemente. 

Por um curioso acaso, numa manhã distante, na quietude do mundo, quando havia menos barulho e mais verde, e quando os hobbits eram ainda numerosos e prósperos, e Bilbo Bolseiro estava parado à sua porta depois do desjejum, fumando um enorme cachimbo de madeira que chegava quase até os lanudos dedos dos seus pés (cuidadosamente escovados), Gandalf apareceu. 

Gandalf! Se vocês tivessem ouvido apenas um quarto do que eu já ouvi a respeito dele, e eu ouvi só um pouco de tudo o que existe para ouvir, estariam preparados para qualquer tipo de história surpreendente. 

Histórias e aventuras brotavam por todo lado, onde quer que ele fosse, da maneira mais extraordinária. Ele não passava por aquele caminho sob a Colina havia muito tempo, na verdade, não passara por ali desde que seu amigo, o Velho Túk, morrera, e os hobbits quase se haviam esquecido de seu aspecto. Estivera viajando, para além da Colina e do outro lado do Água, cuidando de seus próprios negócios, desde que eles todos eram meninos e meninas hobbits. 

Tudo o que Bilbo, sem suspeitar de nada, viu naquela manhã foi um velho com um cajado. Usava um chapéu azul, alto e pontudo, uma capa cinzenta comprida, um cachecol prateado sobre o qual sua longa barba branca caia até abaixo da cintura, e imensas botas pretas. 

— Bom dia! — disse Bilbo sinceramente. O sol brilhava, e a grama estava muito verde. Mas Gandalf lançou-lhe um olhar por baixo de suas longas e espessas sobrancelhas, que se projetavam da sombra da aba do chapéu. 

— O que você quer dizer com isso? — perguntou ele. — Está me desejando um bom dia, ou quer dizer que o dia está bom não importa que eu queira ou não, ou quer dizer que você se sente bem neste dia, ou que este é um dia para se estar bem? 

— Tudo isso de uma vez — disse Bilbo. — É uma manhã muito agradável para fumar um cachimbo ao ar livre, além disso. Se você tiver um cachimbo com você, sentese e tome um pouco do meu fumo! Não há pressa, temos o dia todo pela frente! — E então Bilbo se sentou numa cadeira à sua porta, cruzou as pernas e soprou um belo anel de fumaça cinzenta que se ergueu no ar sem se desmanchar e foi flutuando sobre a Colina.

— Muito bonito! — disse Gandalf. — Mas eu não tenho tempo para soprar anéis de fumaça esta manhã. Estou procurando alguém para participar de uma aventura que estou organizando, e está muito difícil achar alguém.

— Acho que sim, por estes lados! Nós somos gente simples e acomodada, e eu não gosto de aventuras. São desagradáveis e desconfortáveis! Fazem com que você se atrase para o jantar! Não consigo imaginar o que as pessoas vêem nelas — disse o nosso Sr. Bolseiro, colocando um polegar atrás dos suspensórios e soprando outro anel de fumaça ainda maior. Depois pegou sua correspondência matinal e começou a lê-la, fingindo não prestar mais atenção ao velho. Havia decidido que não era do tipo que o agradava e queria que ele fosse embora. Mas o velho não se mexeu. Ficou parado, apoiando-se no seu cajado, observando o hobbit sem dizer nada, até que Bilbo se sentiu meio embaraçado, e até um pouco contrariado. 

— Bom dia! — disse ele finalmente. — Nós não queremos aventuras por aqui, obrigado! Você podia tentar além da Colina ou do outro lado do Água. — Com isso quis dizer que a conversa estava terminada. 

— Você usa Bom Dia para um monte de coisas! — disse Gandalf. — Agora está querendo dizer que quer se livrar de mim e que o dia não ficará bom até que eu vá embora. 

— De jeito nenhum, de jeito nenhum, caro senhor! Deixe-me ver, acho que não sei o seu nome. 

— Sim, sim, meu caro senhor, e eu sei o seu, Sr. Bilbo Bolseiro. E você sabe o meu nome, embora não se lembre de que ele se refere a mim. Eu sou Gandalf, e Gandalf significa eu! E pensar que eu viveria para escutar um “Bom dia” do filho de Beladona Túk como se fosse um simples mascate que bate de porta em porta! 

— Gandalf, Gandalf! Puxa vida! Não o mago errante que deu ao Velho Túk um par de abotoaduras de diamante que se abotoavam e nunca se soltavam até que fosse 

ordenado? Não o camarada que costumava contar histórias maravilhosas nas festas, sobre dragões, orcs e gigantes e sobre resgates de princesas e sobre a sorte inesperada de 

filhos de viúvas? Não o homem que costumava fazer fogos de artifício especialmente maravilhosos! Eu me lembro deles! O Velho Túk costumava soltá-los na véspera do 

Solstício de Verão. Esplêndido! Eles subiam como grandes lírios e bocas-de-leão e laburnos de fogo, ficavam no céu durante todo o entardecer! — Vocês já devem ter 

notado que o Sr. Bolseiro não era tão prosaico como queria acreditar que fosse, e também que gostava muito de flores. 

— Ora, ora! — continuou ele. — Não o Gandalf que foi responsável por tantos moços e moças tranqüilos partirem em loucas aventuras? Qualquer coisa, desde subir em árvores até visitar elfos, ou navegar em navios, navegar para outras praias! Puxa! A vida costumava ser muito interessante… quero dizer, você costumava perturbar muito as coisas por estas bandas naquela época. Eu peço desculpas, mas não imaginava que ainda estava na ativa. 

— Onde mais eu poderia estar? — disse o mago. — De qualquer forma, estou satisfeito em saber que você se lembra de alguma coisa a meu respeito. Parece que a lembrança dos meus fogos de artifício, pelo menos, lhe é agradável, e isto já é alguma coisa. Mas, em memória do seu velho avô Túk e de sua mãe Beladona, darei o que você me pediu. 

— Peço desculpas, mas não pedi nada! 

— Você pediu sim, duas vezes agora. Desculpas. Está desculpado. Na verdade vou muito além disso, vou mandá-lo nessa aventura. Muito divertido para mim, muito bom para você… e lucrativo, muito provavelmente, se você conseguir chegar até o fim. 

— Sinto muito! Eu não quero aventuras, muito obrigado. Hoje não. Bom dia!  Mas, por favor, venha tomar chá, a qualquer hora que quiser! Por que não amanhã? Venha amanhã! Até logo! — Com isso o hobbit se virou e entrou por sua porta redonda e verde e a fechou o mais rápido que era possível sem parecer rude. Afinal de contas, magos são magos.

— Por que raios eu o convidei para o chá!? — perguntou para si mesmo, enquanto ia para a despensa. Tinha acabado de tomar o desjejum, mas achou que um pedaço de bolo ou dois, e um gole de alguma coisa, lhe fariam bem depois do susto. 

Enquanto isso, Gandalf ainda estava parado do lado de fora da porta, rindo muito, mas sem fazer ruído. Depois de uns instantes ele se levantou, e com o cravo de seu cajado riscou um sinal estranho na bela porta verde da toca do hobbit. Depois foi embora, mais ou menos no momento em que Bilbo estava terminando o seu segundo pedaço de bolo e começando a pensar que se havia safado muito bem das aventuras.